Todo ano, na segunda semana de setembro, Alter do Chão se transforma. O Çairé é uma festa de fé, identidade e resistência cultural do povo Borari.
As Origens do Çairé
A festa tem raízes no período colonial, quando os jesuítas introduziram rituais católicos entre os povos do Tapajós. Os Borari incorporaram esses elementos à sua cosmologia e criaram uma celebração única — que mistura a devoção ao Divino Espírito Santo com danças e símbolos da tradição amazônica.
"O Çairé não é só uma festa. É uma afirmação de que um povo existe, tem história, e não vai se esquecer de si mesmo."
Como é a Festa
Programação Típica do Çairé
- Levantamento do mastro — abertura oficial
- Procissão fluvial no Lago Verde — barcos decorados
- Apresentações de carimbó e lundum
- Batalha de Boto: Tucuxi (azul) vs. Cor-de-Rosa
- Arraial com barracas de comida típica
- Missa solene na Igreja de Nossa Senhora da Saúde
- Descida do mastro — encerramento
A Disputa dos Botos
O coração profano da festa é a batalha entre os botos: o Boto Cor-de-Rosa e o Boto Tucuxi se enfrentam em noites de espetáculo na praça do Çairé, com alegorias, música ao vivo e centenas de brincantes — no espírito dos bois de Parintins, mas com identidade tapajônica. Tudo nasce da lenda amazônica do boto que vira homem encantado para seduzir nas festas à beira do rio.
"De dia, a fé e o mastro. De noite, os botos disputam o coração da vila."
Dicas para Viver o Çairé
Planeje-se
- Reserve hospedagem com meses de antecedência — a vila lota
- A programação religiosa acontece de dia; os espetáculos, à noite
- Respeite os rituais: é festa de fé, não apenas show
- Fique alguns dias extras — setembro já é época de praias
Como Aproveitar na Villa Éden
Durante o Çairé, a Villa Éden organiza pacotes especiais. As acomodações de Alter do Chão esgotam meses antes — recomendamos ficar pelo menos 5 dias. Reservas antecipadas aqui.